“Deixe aquele que não possui o poder da paciência se aposentar, apesar que mesmo assim ele terá que aguentar a si próprio. ”Baltasar Gracián

Fui desafiada a escrever um texto específico sobre um assunto que, devido a escolha que fiz muito jovem, não vou vivenciar em minha vida: Aposentadoria e mais, definir em meu texto se a mesma seria Prêmio ou Castigo!

Antes dos 21 anos, eu já havia escolhido ser uma profissional liberal e mesmo sem saber muito os reflexos desta decisão ao longo dos anos, entreguei-me à máxima de que “passarinho que bebe água fora da gaiola, dificilmente voltará à mesma” e em uma busca constante de realização pessoal de um chamado maior que me consumia (ainda consome) a experiência que tive como alguém contratado foi muito pequena e entrecortada com momentos de rebeldia desse meu espírito aventureiro que não conseguiu jamais ficar preso a contratos de trabalho. Confesso que nem mesmo sei direito como colocar essa experiência em palavras. Para mim, ser assim é natural. Sou filha de poeta, boêmio, sonhador e de uma mulher de fibra que fazia – e faz – o que era preciso para honrar com o compromisso de criar e sustentar uma família.

E agora, no auge dos meus já bem vividos anos, frente a um caminho fantástico da consolidação de tudo que aprendi e “juntei” como bagagem de vida por essa estrada incrível, me sentindo aquela que finalmente vai colocar em ação o grande projeto de sua vida profissional, recebo como presente, a oportunidade de pensar neste tão comentado, discutido, esmiuçado e, penso eu, ainda incompreendido tema: APOSENTADORIA!

Frente à jornada de meus dias de dona do meu tempo, da minha vida e da minha responsabilidade de fazer dar certo, já me vi pensando “e se eu tivesse feito aquele concurso “x ou y”, hoje poderia me aposentar para fazer o que faço sem me preocupar tanto com o ter resultado financeiro” Então paro e percebo que iria me aposentar para fazer exatamente o que já faço. Esta maravilhosa conclusão me faz rir por dentro e abençoar a estrada que escolhi e sei que vou trilhar até o dia que for convidada a voltar para minha casa eterna.

Quanto a ser presente ou castigo, Harry Emerson Fosdick (1878 – 1969) líder religioso norte-americano, disse “Não apenas se aposente de algo; tenha algo para qual se aposentar”. Considerando isso, penso que aposentadoria, para ser um presente, deveria ser um rito de passagem para algo maior e que mais sentido faça do que simplesmente poupar a paciência, se libertar de todas as chatices, ficar à toa ou nunca mais voltar àquela empresa ou entidade que esteve ao meu lado durante uma vida inteira proporcionando além do que o dinheiro pode comprar, inúmeras e incontáveis oportunidades de transformação, sociabilização, aprendizado e tudo mais que vem junto do pacote “conviver com pessoas e me tornar melhor com isso”.

Abandonar uma estrada, no meu entendimento, é um ato que deve ser precedido de uma certeza interior que só a gente sabe de onde vem de que, decididamente, o processo está completo, todas as etapas estão cumpridas e agora é hora de algo novo, maior, desafiador que abre portas para um novo ser que sabe para onde e por qual motivo vai seguir. Caso contrário, se o motivo for vão, ainda obscuro, e maculado pela emoção de “quero ficar livre disso ou daquilo”, é bom ter em mente o fato de que uma vez aposentado, a pessoa com a qual eu mais vou conviver será a que vejo todos os dias no espelho do banheiro e, na maioria das coisas que incomoda esta pessoa, esta nela mesma e a seguirá fielmente até que esteja pronta para deixá-las seguir dando lugar a tão sonhada paz.

Kátia de Fátima Monteiro – Goiânia 12/08/2017

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