Andando pela Feira de Antiguidades, uma frase chamou-me a atenção “esse era o notbook de antigamente”. Com olhos curiosos, busquei de onde vinha tal comparação metafórica e dei-me com um jovem pai de joelhos ao lado de sua filha que deveria ter entre 3 e 5 anos, apontando para uma máquina de datilografia bem antiga. Parei… e brinquei dizendo que eu já fiz vários trabalhos neste notbook…. rimos todos e seguimos nossa caminhada.

Em seu maravilhoso texto A Complicada Arte de Ver, Rubem Alves diz: “…Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo….” E sempre pego-me a observar pessoas e seus olhares. Costumo dizer que os olhos contam histórias e basta que nos deixemos ficar perdidos (ou achados) em um olhar para adentrarmos a um novo mundo. Eu adoraria encontrar com “observadores de olhares” para juntos produzirmos um texto, um conto ou, somente um ponto sobre a imensidão do que se pode contar em um olhar.

Dizem os poetas que os olhos são as janelas da alma. Então, se olhamos direitinho, podemos ver ali dentro pedaços de sonhos que ainda brincam de esconde-esconde frente à realidade muitas vezes dura. Ou, ainda, em algumas pessoas bem guardada e em outras nem tanto, a curiosidade da criança buscando mais e mais de cada lampejo do lado de fora.

Nas Oficinas de Criatividade que tenho ministrado, e também nos meus atendimentos individuais, ouço as pessoas  dizerem coisas como “eu queria muito, mas não sou criativo”. E, este quadro do pai com a filha, buscando faze-la entender no mundo dela o que era aquele estranho instrumento, fez-me pensar nesta afirmação. Então, o presente texto, além de servir para dividir com você está doce história, serve para eu fazer-lhe um convite a deixar sair pela sua alma o mesmo olhar curioso da criança encantada e assim, presentear-se com a oportunidade de ver o novo no aparente comum do seu dia.

E depois, se foi bom para você, volta aqui e divide com a gente os resultados. Anote:  Para semear o bem, é preciso bem menos do que se imagina!

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