A arte de começar (de novo)

Começar exige coragem.
E, talvez, ainda mais coragem quando não é a primeira vez.

Porque começar de novo carrega o peso do que não deu certo antes — a lembrança de tentativas frustradas, de expectativas que não se cumpriram, de promessas que ficaram pelo caminho. Mas também carrega um saber precioso: o de que, mesmo assim, você continuou.

Não é preciso esperar um grande clarão, uma motivação arrebatadora ou um cenário perfeito.
O começo raramente vem embalado em facilidades. Ele chega no meio do caos, no corpo cansado, no pensamento confuso. É como uma semente que insiste em romper a terra mesmo sem garantias de sol.

Começar é um ato de resistência.
É dizer silenciosamente: ainda estou aqui.
Mesmo que o passo seja pequeno, mesmo que o caminho ainda seja nebuloso, mesmo que não exista certeza de onde ele vai dar.

Na clínica, vejo que esse movimento se parece com certos momentos da análise: quando o paciente se dá conta de algo e, por um instante, vislumbra a possibilidade de fazer diferente. Esse instante é frágil, mas poderoso. É um intervalo entre o que foi e o que pode ser — um espaço onde nasce o novo.

Começar de novo não apaga a história, mas escreve sobre ela.
E não existe limite para quantas vezes você pode recomeçar.
A arte não está na perfeição do primeiro passo, mas na insistência de continuar, mesmo quando o mundo — ou você mesma — duvida.

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👉 @katiamonteirovs

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