“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver. ” (Dalai Lama)

A frase é simples, mas abre uma questão fundamental: quanto se consegue estar no agora?

Muitas vezes, o corpo ocupa um lugar, mas o pensamento retorna ao que já passou ou se adianta para o que ainda não chegou. Nesse descompasso, perde-se a experiência do instante.

Na psicanálise lacaniana, o inconsciente se manifesta na linguagem. Isso significa que o que surge no momento da fala — às vezes de modo inesperado, até mesmo em um tropeço ou esquecimento — não vem por acaso. O que se diz aqui e agora é exatamente aquilo que precisa ser olhado.

Para quem fala, estar presente é o que abre espaço para que o inconsciente se mostre na linguagem, sem o peso de ficar apenas no passado ou na ansiedade do futuro. Para quem escuta, presença é sustentar essa abertura: uma escuta viva, capaz de acompanhar o instante em que algo do inconsciente se apresenta.

Presença não é ausência de pensamento. É um exercício de entrega: estar onde se está, viver o que se vive, suportar o que não se pode controlar.

E talvez esse seja um dos maiores aprendizados da psicanálise:
👉 o lugar onde se está é o único de onde algo novo pode surgir.

RSS
E-mail